Itália: Atualização Sobre a Repressão Policial Contra Companheirxs Anarquistas em Florença

florence

Recebido em 05.10.17:

No dia 1 de janeiro de 2017, após a explosão de uma bomba caseira em frente à uma livraria fascista em que um policial do esquadrão antibomba perdeu uma mão e um olho, várias casas de companheirxs foram investigadas. A polícia esperava encontrar armas de fogo e/ou explosivos. As investigações não levaram a nada, exceto pela apreensão de panfletos, computadores, roupas e outros objetos do cotidiano. Uma
investigação contra pessoas desconhecidas foi lançada com a intenção de acusar-lhes das infrações de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário em um lugar público” e “tentativa de assassinato”.

A polícia começou uma operação separada chamada “Operazione Panico” (Operação Pânico) em 31 janeiro. Às 12h30, a polícia bateu na porta das casa de várixs companheirxs para notificá-lxs da execução de dez medidas provisórias. Consistiam em 3 pessoas confinadas a prisão domiciliar, 4 pessoas receberam ordens para impedir que saíssem da cidade e também forçando-os a voltarem para suas casas e a comparecerem diariamente a delegacia de polícia. E, finalmente, 3 pessoas receberam condições de
fiança de assinarem na delegacia de polícia todos os dias.

Durante o curso da Operação Pânico, 35 pessoas foram alvos diretamente. Isso também levou ao desalojo da okupa Villa Panico, que foi ocupada pelos últimos 10 anos. No total, 12 pessoas foram acusadas da infração de serem “membros de organização criminosa”. Xs suspeitos dessa operação repressiva estão todxs sob investigação por uma série de eventos que aconteceram na cidade em 2016. Esses eventos incluem um ataque com
tijolos à livraria fascista, uma explosão na mesma livraria e distribuição de folhetos antimilitaristas em um mercado local que resultaram em um punhado de pessoas que foram levadas para a delegacia de polícia e e acusadas de “resistência e recusa em fornecer provas de identidade”. Outros eventos foram uma briga com a polícia em abril,
depois de muitas das suas provocações habituais que acabaram com a prisão de 3 companheirxs (Michele, Francesca e Alessio) e demonstrações de solidariedade com xs presxs.

Dois meses após o fim da operação, uma série de medidas repressivas foram impostas contra 2 companheirxs, escalando constantemente em sua gravidade a presença diária à delegacia para prisão domiciliar. Um terceira pessoa também foi obrigada a assinar diariamente na delegacia. Essa nova onda de repressão e prisões foram  ligadas ao aparecimento de pixações políticas em toda a cidade.

No dia 3 de agosto, uma operação conjunta a nível nacional entre a  DIGOS (unidade de operações especiais da polícia), a ROS (unidade de operações especial da carabinieri) e a polícia antiterrorista acabaram em mais de oito prisões: 6 em Florença, 1 em Roma e 1 em Lecce. Cinco companheirxs foram acusadxs de tentativa de homicídio pela bomba no ano novo. Xs outrxs com a infração de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário em um lugar público”. A segunda acusação refere-se a um ataque com molotovs contra um quartel da carabinieri que aconteceu  na noite da briga com a polícia mencionada anteriormente.

Nos dias 5 e 6 de agosto, 6 detidxs foram liberadxs pelo GIP (juiz para a investigação preliminar) devido à falta de provas contra elxs. Um companheiro, Salvatore Vespertino, ainda está preso porque as autoridades alegaram ter encontrados traços de seu DNA em componentes usados para construir a bomba. Paska, outro companheiro, que deveria ter
sido liberado por falta de provas pelos eventos no ano novo, ainda está mantido na prisão acusado de ser “membro de organização criminosa”, baseada em provas recolhidas durante a Operação Pânico.

Como o caso Paska mostra, a investigação contra pessoas desconhecidas, portanto, incorporada à Operação Pânico. Isso significa que eles adotaram a mesma linha de indagação seja para os acusados de serem “membros de organização criminosa” ou por várias infrações específicas.

Endereços:

Salvatore Vespertino
Casa Circondariale Sollicciano
Via Minervini 2/r
50142- Firenze
Italia

Pierloreto Fallanca
Casa Circondariale
Via Paolo Perrone, 4
73100 – Lecce
Italia

Para apoiar os companheiros e os custos legais:

Youssra Ramadan
Card Number: 5333 1710 3998 6134
IBAN: IT81R0760105138290113490114

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